Ver e fazer filmes, em Cataguases

Belavia

Lá vou eu para Cataguases. O caminho para quem sai do Rio de Janeiro é simples. Vai-se em direção a Teresópolis, depois Além Paraíba, depois Leopoldina e, então, mais 20 quilômetros até Cataguases. Dá uns 260 quilômetros de estrada linda. Belavia. Principalmente o trecho até Além Paraíba, em sua maior parte com grandes trechos de Mata Atlântica remanescente. Uma pena a BR 116 estar em obra. Quer dizer, que bom que ela está sendo reformada, mas dirigir por ela nesses dias é realmente estressante.

Pela rua passa trem, passa tudo

Como muitas cidades do interior do Brasil, Cataguases é frenética. É incrível. Pelo centro da cidade circulam trens de carga. Creio que principalmente trens de minério que saem de Minas Gerais para o Brasil e o mundo. Logo que cheguei aqui cruzei com um trem enorme, mais de 50 vagões. Que susto. A lagarta de ferro foi atravessando a cidade pesadamente, fazendo o povo parar ao som de suas cornetas infernais. O engraçado é ver as pessoas pararem na calçada, ao lado do monstro, como se ele fosse uma inofensiva locomotiva de brinquedo. O trem vai embora e a vida volta ao ritmo de antes. O trem é um respiro, pausa, descanso.

Sherazade

Seguindo a rotina 'sui generis' de Cataguases, a Companhia Kabana de Belo Horizonte se apresenta em praça pública dentro do projeto Vivo Lab. Guitarras, sintetizadores, um montão de laptops instalados nessa bike múltipla. Essa Sherazade mistura as 1001 noite a Arthur de Azevedo e muitas outras narrativas!

Forum DiverCidades Criativas

Na roda de conversas no Ver e Fazer Filmes em Cataguases, um conjunto imenso de diversidades institucionais, pontos de vista, de pensamentos. Que bom, aqui nesse festival há espaço garantido para se pensar. Menos palestras e mais conversa. Ouvi dizer que à noite a conversa pode ser animada por uma boa cachaça, mais ainda não fui apresentado às cachaças locais. A conversa em pauta é uma grande troca de idéias e experiências, que vão suscitar discussões, idéias e experiências para a futura invenção do pólo audiovisual de Cataguases.

Filmes e prêmios em Cataguases

É um festival. Aqui se pode ver filmes. Mas, nesse festival se faz filmes. Há 7 equipes residentes trabalhando em curtas metragens documentais e ficcionais. Todos eles bebem na literatura inspiradora de Luiz Ruffato, que nasceu em Cataguases. As equipes de ficção vem da Universidade Federal da Bahia e da PUC-Minas. As equipes de documentários vêm da Paraíba, de Portugal, de Angola, de Cabo Verde e de Moçambique. Depois de uma tarde inteira no juri, chegamos a conclusão difícil:

Melhor filme de ficção: "Roupas no varal", equipe Univ. Federal da Bahia.

Melhor filme documentário: "Esperando no quintal", equipe Moçambique.

Os moçambicanos foram uma grata supresa nesse festival.